Pois foi.
Lá fiz a cirurgia. A dita correu bem: não me fez impressão ou doeu. O pós-operatório também correu bem, sem dores ou comichões.
Se vejo bem? Pos é ai mesmo que a coisa se complica. Eu sei que sou uma maluca com manias de controlo, portanto ao contrário dos outros eu gosto de saber em detalhe o que vai acontecer. Comforta-me saber que ele vai cortar assim e queimar assado. Por consequencia sou também uma realista infernal. Eu sou aquela tipa que quando perguntam se ainda me vou demorar, faz um calculo mental e responde que dentro de 17 minutos estará pronta. Honestamente, até eu me irrito a mim mesma, às vezes.
Ora o que é que o senhor professor médico cirurgião me disse? Ele disse que veria tudo desfocado após a cirurgia e que no dia seguinte já teria visão a 100%.
E é nesta altura que vamos todos dar uma gargalhada juntos. 1, 2, 3...
Pronto, agora que o ar já ficou mais desanuviado, tenho a dizer que não, não estou a ver a 100%. É que como é normal, uma pessoa com as dioptrias que eu tinha não fica a ver bem no dia a seguinte à cirurgia, diga quem disser que sim. E que provavelmente vai demorar muitos meses a voltar a ter visão a 100%.
Ora, eu sendo realista, o que me irrita não é esperar esses meses (ok, esperar meia duzia de meses, se não um ano, para recuperar a visão perfeita é um autêntico teste à pachorra de qualquer um). O que me irrita é que o senhor professor médico cirurgião não me diga isto. O que me irrita é eu dizer que vejo mal, e o senhor professor médico cirurgião me dizer que eu não estou a ver tão mal como eu PENSO que estou a ver. Vocês estão a topar isto? Surreal.
Portanto a 1a impressão do senhor tinha sido má, lembram-se? Já devo ir na 5a consulta e a impressão tornou-se uma certeza.
Concluindo, sim já vejo bem ao perto e até ai um raio de 5 metros, apartir do qual comeca tudo a ficar desfocado. Experimentei cinema, mas custa mesmo nas filas da frente, lojas e centros comerciais fazem-me confusão, conduzir só de dia e para sítios que conheca bem.
Escrevo isto no dia em que passam 4 semanas da cirurgia. Estou esperancosa que cada dia traga uma melhoria, por pequena que seja. O que eu sei é que no final desta aventura a minha paciência vai ser muito maior do que é agora. :)
terça-feira, janeiro 12, 2010
quinta-feira, novembro 26, 2009
Fazer ou não fazer, eis a questão.
Foi ainda na primária que a minha professora, essa grande mulher a D. Emilia (e olhem que ela era mesmo grande!) se apercebeu que eu não via nada e dai à converseta com os meus colegas era um pequeno passo. A solucão dela foi simples: pôr-me numa mesa sozinha para acabar com a constante conversacão e mandar-me ao médico. Desde então que uso óculos.
A percepcão de adolescência fez-me querer livrar-me deles e a solucão eram as lentes de contacto. Depois de anos de batalha com o meu médico , conclui que sim era mesmo isso que eu queria e que não havia necessidade de pedir qualquer tipo de conselho médico. Afinal era tudo uma questão linguistica. Em vez de perguntar "Acha que já posso usar lentes de contacto?" à qual a resposta era invariavelmente "Não", disse "Ora, então vamos lá prescrever ai uma lentes de contacto aqui para a jovem, e isso depressinha." (esta pode não ter sido a minha frase exacta, mas o tom foi este) e o médico simplesmente fez exactamente isso.
Isto foi há mais de 10 anos. Usar um plástico nos olhos durante grande parte do dia, 367 dias por ano, durante 10 anos, pode ser práctico mas não é saudável. Há 4 ou 5 anos comecei a ter problemas que anteviam o fim do uso das lentes e o regresso aos óculos. Os óculos agora até estão na moda, mas voltar à visão limitada dos óculos para mim já não funcionava.
O ano passado, por pressão maternal, comecei a pensar seriamente na hipotese de cirurgia. A minha médica apoiou-me e mandou-me para um cirurgião. Lá fui à consulta no final de Julho. Depois de testes bem intensivos seguiu-se a consulta. Uma consulta estranha, cheia de interrupcões e um telemóvel a tocar. A atencão do senhor doutor foi pouca ou nenhuma (esse maldito telemóvel) mas lá se concluiu que a cirurgia era possivel. Restava-me tomar a decisão final.
A minha primeira impressão? Má. E se o telemóvel tocasse a meio da cirurgia? Será que o senhor professor teria que o atender? No dia seguinte regressei à Bélgica e a coisa estalou em Portugal: 6 pacientes cegos em St Maria após uma intervencão. O Director de Servico? Era o senhor doutor do telemóvel. De repente tudo fazia sentido. Cirurgia firmemente adiada ad eternum.
Após o Verão continuei a remoer a cirurgia. Que ainda é possivel agora mas que talvez em breve já não seja. Muitas dúvidas, alguns esclarecimentos, decisão tomada, cirurgia marcada. Dia 15 de Dezembro lá vou ver o que se passa. E espero sair a ver o que se passa.
A percepcão de adolescência fez-me querer livrar-me deles e a solucão eram as lentes de contacto. Depois de anos de batalha com o meu médico , conclui que sim era mesmo isso que eu queria e que não havia necessidade de pedir qualquer tipo de conselho médico. Afinal era tudo uma questão linguistica. Em vez de perguntar "Acha que já posso usar lentes de contacto?" à qual a resposta era invariavelmente "Não", disse "Ora, então vamos lá prescrever ai uma lentes de contacto aqui para a jovem, e isso depressinha." (esta pode não ter sido a minha frase exacta, mas o tom foi este) e o médico simplesmente fez exactamente isso.
Isto foi há mais de 10 anos. Usar um plástico nos olhos durante grande parte do dia, 367 dias por ano, durante 10 anos, pode ser práctico mas não é saudável. Há 4 ou 5 anos comecei a ter problemas que anteviam o fim do uso das lentes e o regresso aos óculos. Os óculos agora até estão na moda, mas voltar à visão limitada dos óculos para mim já não funcionava.
O ano passado, por pressão maternal, comecei a pensar seriamente na hipotese de cirurgia. A minha médica apoiou-me e mandou-me para um cirurgião. Lá fui à consulta no final de Julho. Depois de testes bem intensivos seguiu-se a consulta. Uma consulta estranha, cheia de interrupcões e um telemóvel a tocar. A atencão do senhor doutor foi pouca ou nenhuma (esse maldito telemóvel) mas lá se concluiu que a cirurgia era possivel. Restava-me tomar a decisão final.
A minha primeira impressão? Má. E se o telemóvel tocasse a meio da cirurgia? Será que o senhor professor teria que o atender? No dia seguinte regressei à Bélgica e a coisa estalou em Portugal: 6 pacientes cegos em St Maria após uma intervencão. O Director de Servico? Era o senhor doutor do telemóvel. De repente tudo fazia sentido. Cirurgia firmemente adiada ad eternum.
Após o Verão continuei a remoer a cirurgia. Que ainda é possivel agora mas que talvez em breve já não seja. Muitas dúvidas, alguns esclarecimentos, decisão tomada, cirurgia marcada. Dia 15 de Dezembro lá vou ver o que se passa. E espero sair a ver o que se passa.
quarta-feira, novembro 18, 2009
TA
Olá a todos.
Há já algum tempo que não escrevia aqui, não por não ter nada que escrever, mas porque o que me ocupava todo o tempo fora do trabalho era um assunto alvo de uma certa repressão social.
Mas acho que chegou a hora de enfrentar a verdade, que isto que me aconteceu já não vai voltar atrás, e portanto mais vale admiti-lo abertamente a todos vocês.
Eu sou a Carolina e sou uma Trekkie.
Como é que isto aconteceu? Bem, uma amiga recomendou-me vivamente o novo filme do Star Trek, fui vê-lo e já está. É verdade o que se diz que basta experimentar uma vez para se ficar viciado.
Depois de ver o filme, lancei-me efusivamente no mundo dos Trekkies (e alguns são um pouco assustadores, mas a maioria é pessoal pacifico) voltando a 1967 à serie original. Eu já tinha um bichinho em mim, quando adorava a série Nova Geracão no pricipio dos anos 90, com o Picard e o Data, nem eu sabia que havia uma data de series antes e depois.
Agora já sei (quase) tudo. A minha irmã primeiro avisou-me que isto estava a ficar sério, ultimamente já me ameaca deixar de falar comigo, e suspeito que mais para a frente ainda organiza uma intervencão para me livrar deste vício terrivel.
Mas que posso eu fazer? O que eu aprendi sobre este mundo criado por Gene Roddenberry só pode ser inspirador. Numa altura da história em que a integracão era tabu, onde as mulheres eram cidadãos de 2a categoria e outras minorias permaneciam escondidas, Roddenberry conseguiu criar uma série onde todas as racas trabalhavam juntas, onde haviam um russo, um asiático, uma mulher negra em posicões de relevo e importância, tinhamos um extraterrestre com aspecto satânico, e uma mensagem geral de que no futuro a raca humana seria muito melhor, sem discriminacão, violência, racismo. Uma mensagem de cooperacão e boa vontade.
Roddenberry apontou a sua história para o século 23. Olhando para trás, e tendo em conta que já estamos 10 anos no século 21, penso que mesmo assim é uma previsão muito optimista.
Para finalizar, posso estar aqui a partilhar isto nos Trekkies Anónimos, mas este é um vício de que não me quero livrar.
Espaco, a última fronteira...
Há já algum tempo que não escrevia aqui, não por não ter nada que escrever, mas porque o que me ocupava todo o tempo fora do trabalho era um assunto alvo de uma certa repressão social.
Mas acho que chegou a hora de enfrentar a verdade, que isto que me aconteceu já não vai voltar atrás, e portanto mais vale admiti-lo abertamente a todos vocês.
Eu sou a Carolina e sou uma Trekkie.
Como é que isto aconteceu? Bem, uma amiga recomendou-me vivamente o novo filme do Star Trek, fui vê-lo e já está. É verdade o que se diz que basta experimentar uma vez para se ficar viciado.
Depois de ver o filme, lancei-me efusivamente no mundo dos Trekkies (e alguns são um pouco assustadores, mas a maioria é pessoal pacifico) voltando a 1967 à serie original. Eu já tinha um bichinho em mim, quando adorava a série Nova Geracão no pricipio dos anos 90, com o Picard e o Data, nem eu sabia que havia uma data de series antes e depois.
Agora já sei (quase) tudo. A minha irmã primeiro avisou-me que isto estava a ficar sério, ultimamente já me ameaca deixar de falar comigo, e suspeito que mais para a frente ainda organiza uma intervencão para me livrar deste vício terrivel.
Mas que posso eu fazer? O que eu aprendi sobre este mundo criado por Gene Roddenberry só pode ser inspirador. Numa altura da história em que a integracão era tabu, onde as mulheres eram cidadãos de 2a categoria e outras minorias permaneciam escondidas, Roddenberry conseguiu criar uma série onde todas as racas trabalhavam juntas, onde haviam um russo, um asiático, uma mulher negra em posicões de relevo e importância, tinhamos um extraterrestre com aspecto satânico, e uma mensagem geral de que no futuro a raca humana seria muito melhor, sem discriminacão, violência, racismo. Uma mensagem de cooperacão e boa vontade.
Roddenberry apontou a sua história para o século 23. Olhando para trás, e tendo em conta que já estamos 10 anos no século 21, penso que mesmo assim é uma previsão muito optimista.
Para finalizar, posso estar aqui a partilhar isto nos Trekkies Anónimos, mas este é um vício de que não me quero livrar.
Espaco, a última fronteira...
quinta-feira, setembro 24, 2009
Salsa
Há já algum tempo que queria aprender a dancar ritmos latinos. Na altura, em Portugal, um pouco antes da explosão de interesse provocada pelo Danca Comigo, procurei aulas. A oferta era pouca e limitada por uma regra inquebrável: tinha que se ter par.
Aqui em Leuven, atirei-me finalmente de cabeca. Já conhecia um curso que não levantava qualquer problema com o facto de se ter par ou não, contactei o professor e ele respondeu com "há uma aula hoje. Quer aparecer?". Lá fui à experiência, grátis. Gostei. O sistema é muito simples. O professor contabiliza o numero de senhoras e senhores, e quando tem falta pergunta aos alunos de outras classes, se não querem aparecer, e fazer mais uma aula sem pagar. Obviamente isto resulta, e ao contrário de Portugal, onde a regra do par é fundamental, pois devem ser 95% mulheres e 5% homens, aqui para além dos pares, também há bastantes homens sozinhos para compensar as senhoras a mais.
As aulas são bastante engracadas, principalmente, se como eu, se vai com espirito. A maior parte dos homens parece que viram um fantasma, tão a sério tentam levar a coisa.
Aprender os passos básicos é logo uma grande ajuda, para quem é latino e já tem qualquer coisinha no sangue. A seguir é arranjar um bom condutor. Uma vez que a senhora é suposto seguir o lider, é preciso que o lider saiba o que está a fazer. O que obviamente numa aula de iniciados não acontece.
Agora quero ir a uma festa de salsa, saltar para o chão de danca e praticar.
Aqui em Leuven, atirei-me finalmente de cabeca. Já conhecia um curso que não levantava qualquer problema com o facto de se ter par ou não, contactei o professor e ele respondeu com "há uma aula hoje. Quer aparecer?". Lá fui à experiência, grátis. Gostei. O sistema é muito simples. O professor contabiliza o numero de senhoras e senhores, e quando tem falta pergunta aos alunos de outras classes, se não querem aparecer, e fazer mais uma aula sem pagar. Obviamente isto resulta, e ao contrário de Portugal, onde a regra do par é fundamental, pois devem ser 95% mulheres e 5% homens, aqui para além dos pares, também há bastantes homens sozinhos para compensar as senhoras a mais.
As aulas são bastante engracadas, principalmente, se como eu, se vai com espirito. A maior parte dos homens parece que viram um fantasma, tão a sério tentam levar a coisa.
Aprender os passos básicos é logo uma grande ajuda, para quem é latino e já tem qualquer coisinha no sangue. A seguir é arranjar um bom condutor. Uma vez que a senhora é suposto seguir o lider, é preciso que o lider saiba o que está a fazer. O que obviamente numa aula de iniciados não acontece.
Agora quero ir a uma festa de salsa, saltar para o chão de danca e praticar.
segunda-feira, setembro 14, 2009
Ai, America, America...
This is a song for America,
Home of the Red, White and Blue
Land of Marilyn Monroe and James Dean,
Apple pie, baseball and Shell gasoline
SUVs, handguns and US magazine,
Low carb diets and fast food cuisine,
Crack cocaine, Abu Graib and nicotine,
Swiddling CEOs getting off clean,
George Bush's great role in war machine,
I think we're in trouble, don't you?
- Stephen Lynch
Também acho.
Estive esta manhã a actualizar-me em relacão a um caso que se está a passar nos EUA e que está a deixar a comunidade de investigadores do HIV de queixo caido com tanta inanidade.
Há cerca de 10 anos, um investigador da Universidade de Stanford, Robert Shafer, criou uma base de dados com sequencias de HIV, que permitia a submissão de sequencias por parte do utilizador e a análise destas, de forma práctica e simples, em relacão ao subtipo, mutacões e resistencia aos antiretrovirais. Por estas razões, rápidamente se tornou uma ferramenta essencial para muitos clínicos, um site fácil de aceder e uma ajuda fundamental para ajustar as terapias dos doentes.
Ao longo dos anos o HIVdb continuou a desenvolver-se fornecendo uma série de ferramentas de análise, assim como um repositório de sequencias, que se tornou de referência no mundo do HIV. Eu já utilizei o HIVdb tantas vezes nos ultimos 5 anos, que se poderá contar certamente milhares de acessos.
Agora uma empresa, a ABL, percebeu que tem duas patentes nos EUA, que descrevem a "invencão" de utilizar computadores como forma de ajudar os clínicos a tomar decisões terapêuticas. Com estas patentes asseguradas, foram directamente ao bolso desses capitalistas que estavam a fazer rios de dinheiro: a Universidade de Stanford e uma database livremente disponível online.
No que acho, que foi um grande, grande erro, a Universidade de Stanford assinou um acordo com a ABL, sem dar conhecimento a Shafer. O acordo permitiria o livre uso do HIVdb a investigadores e outros individuos, desde que estes não fizessem com isso dinheiro. Os outros utilizadores teriam de pagar a patente à ABL. E esta informacão teria de estar claramente assinalada no HIVdb.
Ora, este acordo não é mais do que uma saída cobarde e legal, mas que na realidade não tem qualquer uso práctico. Tanto que Shafer, acabou por colocar o aviso numa página escondida, mantendo o HIVdb como estava. Entretanto, Shafer, infeliz com o acordo assinado sem o seu conhecimento, veio a público expressar o seu desapontamento nestas interferências legais, que afectam a livre propagacão de informacão cientifica.
A ABL, obviamente não se ficou, e processou Stanford e Shafer, pessoalmente. Neste momento, o caso contra Stanford está resolvido, mas o processo de difamacão contra Shafer, continua. Este reagiu, exigindo a re-avalicão das patentes. Esta re-avalicão já deu resultados, infelizmente favoráveis para a ABL.
Uma nota interessante é que as mesmas patentes foram rejeitadas aqui na Europa. Imaginem patentear o uso de computadores por parte de um clínico para ajudar no melhoramento da terapêutica/tratamento de doentes, de qualquer doenca.
Isto quer dizer, que só na America, num mundo de processos e advogados, pessoas se dedicam a patentear a definacão mais generalista possivel, só para mais tarde processarem companhias e fazer um dinheiro fácil e rápido, sem criarem nada ou fazer qualquer tipo de contribuicão. Vivem simplesmente de processarem outros pelo seu próprio trabalho.
Shafer vai continuar esta luta. Criou o site Harmful Patents, já gastou $200.000 do seu próprio dinheiro, assim como $25.000 de doacões de outros investigadores.
Dêem uma olhadela por lá. Imaginem ter de pagar à ABL sempre que utilizem o computador para estudar um doente, para o ajudar, para o curar, para lhe aumentar a qualidade de vida...
Home of the Red, White and Blue
Land of Marilyn Monroe and James Dean,
Apple pie, baseball and Shell gasoline
SUVs, handguns and US magazine,
Low carb diets and fast food cuisine,
Crack cocaine, Abu Graib and nicotine,
Swiddling CEOs getting off clean,
George Bush's great role in war machine,
I think we're in trouble, don't you?
- Stephen Lynch
Também acho.
Estive esta manhã a actualizar-me em relacão a um caso que se está a passar nos EUA e que está a deixar a comunidade de investigadores do HIV de queixo caido com tanta inanidade.
Há cerca de 10 anos, um investigador da Universidade de Stanford, Robert Shafer, criou uma base de dados com sequencias de HIV, que permitia a submissão de sequencias por parte do utilizador e a análise destas, de forma práctica e simples, em relacão ao subtipo, mutacões e resistencia aos antiretrovirais. Por estas razões, rápidamente se tornou uma ferramenta essencial para muitos clínicos, um site fácil de aceder e uma ajuda fundamental para ajustar as terapias dos doentes.
Ao longo dos anos o HIVdb continuou a desenvolver-se fornecendo uma série de ferramentas de análise, assim como um repositório de sequencias, que se tornou de referência no mundo do HIV. Eu já utilizei o HIVdb tantas vezes nos ultimos 5 anos, que se poderá contar certamente milhares de acessos.
Agora uma empresa, a ABL, percebeu que tem duas patentes nos EUA, que descrevem a "invencão" de utilizar computadores como forma de ajudar os clínicos a tomar decisões terapêuticas. Com estas patentes asseguradas, foram directamente ao bolso desses capitalistas que estavam a fazer rios de dinheiro: a Universidade de Stanford e uma database livremente disponível online.
No que acho, que foi um grande, grande erro, a Universidade de Stanford assinou um acordo com a ABL, sem dar conhecimento a Shafer. O acordo permitiria o livre uso do HIVdb a investigadores e outros individuos, desde que estes não fizessem com isso dinheiro. Os outros utilizadores teriam de pagar a patente à ABL. E esta informacão teria de estar claramente assinalada no HIVdb.
Ora, este acordo não é mais do que uma saída cobarde e legal, mas que na realidade não tem qualquer uso práctico. Tanto que Shafer, acabou por colocar o aviso numa página escondida, mantendo o HIVdb como estava. Entretanto, Shafer, infeliz com o acordo assinado sem o seu conhecimento, veio a público expressar o seu desapontamento nestas interferências legais, que afectam a livre propagacão de informacão cientifica.
A ABL, obviamente não se ficou, e processou Stanford e Shafer, pessoalmente. Neste momento, o caso contra Stanford está resolvido, mas o processo de difamacão contra Shafer, continua. Este reagiu, exigindo a re-avalicão das patentes. Esta re-avalicão já deu resultados, infelizmente favoráveis para a ABL.
Uma nota interessante é que as mesmas patentes foram rejeitadas aqui na Europa. Imaginem patentear o uso de computadores por parte de um clínico para ajudar no melhoramento da terapêutica/tratamento de doentes, de qualquer doenca.
Isto quer dizer, que só na America, num mundo de processos e advogados, pessoas se dedicam a patentear a definacão mais generalista possivel, só para mais tarde processarem companhias e fazer um dinheiro fácil e rápido, sem criarem nada ou fazer qualquer tipo de contribuicão. Vivem simplesmente de processarem outros pelo seu próprio trabalho.
Shafer vai continuar esta luta. Criou o site Harmful Patents, já gastou $200.000 do seu próprio dinheiro, assim como $25.000 de doacões de outros investigadores.
Dêem uma olhadela por lá. Imaginem ter de pagar à ABL sempre que utilizem o computador para estudar um doente, para o ajudar, para o curar, para lhe aumentar a qualidade de vida...
terça-feira, agosto 11, 2009
Para sempre
Quando a Jill e o Kevin se casaram no final Junho, algures nos EUA, ela queria incorporar o seu amor pela danca de alguma maneira na cerimónia de casamento, talvez dancando até ao altar. Tanto Kevin como os respectivos amigos da noiva e do noivo decidiram tornar este desejo uma realidade.
Um mês depois, o video da entrada do noivo e da noiva na igreja foi colocado no YouTube, para que membros da família não presentes no casamento pudessem ver o momento.
Neste momento o video já foi visto perto de 19 milhões de vezes. É a conjuncão mais enternecedora de amizade, um grande sentido de humor, e claro a celebracão do que deve ser o momento mais feliz das vidas deles. Para sempre.
Um mês depois, o video da entrada do noivo e da noiva na igreja foi colocado no YouTube, para que membros da família não presentes no casamento pudessem ver o momento.
Neste momento o video já foi visto perto de 19 milhões de vezes. É a conjuncão mais enternecedora de amizade, um grande sentido de humor, e claro a celebracão do que deve ser o momento mais feliz das vidas deles. Para sempre.
quarta-feira, agosto 05, 2009
Efananauei...
E porque grande comédia e momentos espontâneos de rua também acontecem em Portugal, tenho que aqui pôr o exemplo.
E todos juntos: efananauei!
E todos juntos: efananauei!
quinta-feira, julho 23, 2009
O outro Armstrong
Durante a faculdade, para o trabalho de uma disciplina, calhou ao meu grupo o fármaco cisplatina. A cisplatina era na altura um fármaco novo para uso oncológico, e como o próprio nome indica, apesar de resultados muito positivos, pouco mais é do que puro veneno, uma versão injectável de platina.
Para além de ser um trabalho muito interessante, o que realmente deu uma cara à importância deste medicamento foi o ciclista Lance Armstrong. Aos 25 anos, no final de 1996, após interromper a Tour de France nesse ano devido a sintomas, Armstrong é diagnosticado com cancro testicular, com a presenca de metástases já desenvolvidas no abdomén, pulmões e cérebro. Armstrong é operado ao cérebro, o testículo removido, e faz quimioterapia agressiva com, entre outros medicamentos, cisplatina. O médico que o segue dá-lhe uma probabilidade de sobreviver inferior a 50%.
Em 1998, Armstrong apresenta-se já em excelente forma em várias provas de ciclismo internacionais e em 1999 vence a sua primeira Tour de France. O padrão repete-se até 2005, quando se retira do ciclismo, para se dedicar à Fundacão Lance Armstrong de luta contra o cancro.
O ano passado anunciou o seu regresso ao ciclismo com a intencão expressa de correr na Tour de France, e publicitar e angariar o máximo de atencão e fundos possiveis para a luta contra o cancro.
E é por isso que todos estes anos depois, Lance Armstrong continua a ser uma inspiracão, para mim e para milhões de pessoas em todo o mundo.
Para além de ser um trabalho muito interessante, o que realmente deu uma cara à importância deste medicamento foi o ciclista Lance Armstrong. Aos 25 anos, no final de 1996, após interromper a Tour de France nesse ano devido a sintomas, Armstrong é diagnosticado com cancro testicular, com a presenca de metástases já desenvolvidas no abdomén, pulmões e cérebro. Armstrong é operado ao cérebro, o testículo removido, e faz quimioterapia agressiva com, entre outros medicamentos, cisplatina. O médico que o segue dá-lhe uma probabilidade de sobreviver inferior a 50%.
Em 1998, Armstrong apresenta-se já em excelente forma em várias provas de ciclismo internacionais e em 1999 vence a sua primeira Tour de France. O padrão repete-se até 2005, quando se retira do ciclismo, para se dedicar à Fundacão Lance Armstrong de luta contra o cancro.
O ano passado anunciou o seu regresso ao ciclismo com a intencão expressa de correr na Tour de France, e publicitar e angariar o máximo de atencão e fundos possiveis para a luta contra o cancro.
E é por isso que todos estes anos depois, Lance Armstrong continua a ser uma inspiracão, para mim e para milhões de pessoas em todo o mundo.
quinta-feira, julho 09, 2009
A jovem Victoria
A rainha Victoria de Inglaterra é uma figura que toda a gente conhece, vestida de preto, figura de matrona, com uma coroa pequena no cocuruto da cabeca. A monarca que mais tempo esteve no poder.
Mas quando ela era jovem, a sua vida foi bem aventurosa e romântica. É essa a ideia por detrás deste filme, mostrar ao público um outro lado da rainha Victoria, e o seu romance com o marido, o principe Albert.
Desde o ínicio que vemos uma jovem Victoria (Emily Blunt) a ser puxada e manipulada por um lado e por outro, quer seja pela mãe (uma notável Natasha Richardson, como sempre) ou pelo Lord Melbourne (um impecável Paul Bettany). Mas quando conhece o primo Albert (Rupert Friend), que por sua vez também é manipulado pelo tio de ambos, juntos descobrem que podem ser tudo um para o outro.
E assim comecou um romance e um casamento. Victoria e Albert reinaram juntos durante 20 anos e tiveram 9 filhos antes de Albert morrer aos 42 anos. Até à sua morte aos 81 anos, a rainha vestiu luto pelo marido.
Mas quando ela era jovem, a sua vida foi bem aventurosa e romântica. É essa a ideia por detrás deste filme, mostrar ao público um outro lado da rainha Victoria, e o seu romance com o marido, o principe Albert.
Desde o ínicio que vemos uma jovem Victoria (Emily Blunt) a ser puxada e manipulada por um lado e por outro, quer seja pela mãe (uma notável Natasha Richardson, como sempre) ou pelo Lord Melbourne (um impecável Paul Bettany). Mas quando conhece o primo Albert (Rupert Friend), que por sua vez também é manipulado pelo tio de ambos, juntos descobrem que podem ser tudo um para o outro.
E assim comecou um romance e um casamento. Victoria e Albert reinaram juntos durante 20 anos e tiveram 9 filhos antes de Albert morrer aos 42 anos. Até à sua morte aos 81 anos, a rainha vestiu luto pelo marido.
quarta-feira, julho 08, 2009
Londontown
Estes post sobre as minhas idas a Londres comecam a tornar-se chatos. São sempre muito semelhantes: viagem de Eurostar, concerto dos Take That (ou musical ou teatro), compras e regresso.
Também desta vez a viagem se regeu pelas mesmas linhas, com a diferenca de estar um calor do caneco em Londres, o que tornou a visita muito agradável.
Desta vez o concerto dos meus amigos foi no novo estádio de Wembley. Sim, acreditem: 80 mil pessoas durante 4 noites.

O concerto em si foi monumental. Os nossos meninos puderam gritar "Wembley!" como qualquer banda que se preze, e devo dizer que Wembley respondeu de volta: à segunda música as minhas cordas vocais já não funcionavam.
No final do concerto, a saída do estádio foi rápida e organizada. Infelizmente, cá fora não se podia dizer a mesma coisa. Era literalmente nadar contra uma corrente de pessoas para chegar ao metro. Parámos e aproveitamos para jantar enquanto a multidão escoava.
Nos dias seguintes aproveitámos para passear, mirar os saldos, ir ao cinema, ir ver o Tate Modern. E fiz isto tudo de calcões, numa Londres de 30 graus centrigrados, onde no metro se chegava facilmente aos 40s.
No sábado regressei aqui à terrinha belga, e a actividade dos próximos tempos vai ser seguir o Tour de France.
Também desta vez a viagem se regeu pelas mesmas linhas, com a diferenca de estar um calor do caneco em Londres, o que tornou a visita muito agradável.
Desta vez o concerto dos meus amigos foi no novo estádio de Wembley. Sim, acreditem: 80 mil pessoas durante 4 noites.
O concerto em si foi monumental. Os nossos meninos puderam gritar "Wembley!" como qualquer banda que se preze, e devo dizer que Wembley respondeu de volta: à segunda música as minhas cordas vocais já não funcionavam.
No final do concerto, a saída do estádio foi rápida e organizada. Infelizmente, cá fora não se podia dizer a mesma coisa. Era literalmente nadar contra uma corrente de pessoas para chegar ao metro. Parámos e aproveitamos para jantar enquanto a multidão escoava.
Nos dias seguintes aproveitámos para passear, mirar os saldos, ir ao cinema, ir ver o Tate Modern. E fiz isto tudo de calcões, numa Londres de 30 graus centrigrados, onde no metro se chegava facilmente aos 40s.
No sábado regressei aqui à terrinha belga, e a actividade dos próximos tempos vai ser seguir o Tour de France.
terça-feira, julho 07, 2009
Espaco, a última fronteira...
Tenho recebido queixas de que nunca mais escrevi aqui no blog.
E admito, que não tenho tido muito tempo, e o tempo que tenho tido tem sido passado a absorver (tipo esponja) tudo o que tenha a ver com o Star Trek (o que é muito: 40 anos de séries e filmes), e com o longo, longo cast das séries/filmes.
É claro que os bons velhos William Shatner e Leonard Nimoy não precisam de qualquer apresentacão, mas os novos actores que prenchem o papel de Kirk e Spock, precisam.
No papel de Spock temos o Zachary Quinto, o tipo mais mau, mais vilão e mais assustador dos últimos tempos na televisão, ou não seja ele o Sylar dos Heroes. Ele é o tipo de vilão que adoramos odiar, e odiamos amar. Ao longo das 3 séries de Heroes já me conseguiu fazer rir, querer esconder atrás do sofá de medo ou pôr-me quase a chorar de pena.
A fazer de Kirk mais novo temos Chris Pine, de quem eu nunca tinha ouvido falar, mas também por ser novo nesta coisa de filmes. Só tenho a dizer que me convenceu seriamente e que mais um bom actor chegou.
E admito, que não tenho tido muito tempo, e o tempo que tenho tido tem sido passado a absorver (tipo esponja) tudo o que tenha a ver com o Star Trek (o que é muito: 40 anos de séries e filmes), e com o longo, longo cast das séries/filmes.
É claro que os bons velhos William Shatner e Leonard Nimoy não precisam de qualquer apresentacão, mas os novos actores que prenchem o papel de Kirk e Spock, precisam.
No papel de Spock temos o Zachary Quinto, o tipo mais mau, mais vilão e mais assustador dos últimos tempos na televisão, ou não seja ele o Sylar dos Heroes. Ele é o tipo de vilão que adoramos odiar, e odiamos amar. Ao longo das 3 séries de Heroes já me conseguiu fazer rir, querer esconder atrás do sofá de medo ou pôr-me quase a chorar de pena.
A fazer de Kirk mais novo temos Chris Pine, de quem eu nunca tinha ouvido falar, mas também por ser novo nesta coisa de filmes. Só tenho a dizer que me convenceu seriamente e que mais um bom actor chegou.
segunda-feira, junho 08, 2009
Noite Colombiana
Não, não sai da Europa, nem sequer do país. Foi uma noite Colombiana em Bruxelas.
O grupo era feminino, internacional e multi-lingue. Ora senão sejamos: uma portuguesa, que arranha um bocado de francês e espanhol, uma brasileira que arrasa em francês, portunhol e japonês, uma belga que fala um espanhol quase nativo e uma colombiana, que está aprendendo portunhol.
Chegamos a Bruxelas com muito tempo de sobra, ou não fosse esta uma festa latina e portanto atrasada. :) Depois de tomarmos uma bebida numa esplanada a aproveitar o maravilhoso sol e temperatura tépida, lá fomos ver de que se tratava a festa. Como tinha jantar, compramos senhas e escolhemos o menu. Os problemas vieram a seguir, mas lá se foram resolvendo. Não havia mesas suficientes: lá apareceram mais mesas e cadeiras. O problema maior foi a comida que nunca mais, o sol a pôr-se, a temperatura a cair, e nós sentadas no terraco. Depois de um bom par de horas, depois de falar, refilar, pedir por todos os santinhos em francês, espanhol e inglês, lá apareceu a chuleta, com arroz, couve roxa e platano. Que estava boa e quentinha. E um silêncio caiu na mesa.
A seguir havia sobremesa e um concerto. O concerto estava bem a meio quando acabámos de jantar, mas lá fomos dar uma espreitadela. A cantora, Zully Murillo, estava acompanhada pelos De La Contudencia, e tratou de dar um espetáculo que nos fez esquecer tudo o que tinha acontecido até ai: dancou pelo palco, contou histórias, numa interpretacão fantástica, como se fossemos todos velhos amigos a rever histórias da aldeia.

Ao princípio ainda nos sentámos, mas rapidamente o ritmo chamou às nossas almas latinas e era impossível ficar parada.
Acabámos por ter de sair do concerto antes do final, para ir apanhar o último comboio de volta a Leuven. E só então nos apercebemos, que se pagava bilhete para o concerto. O mal já estava feito, e corremos Bruxelas acima e abaixo (incluíndo um sprint através de um túnel, enquanto um músico/mendigo tocava alegremente acordeão, digno de um filme) atrás do último comboio, que conseguimos apanhar com minutos de sobra.
Foi uma grande noite!
O grupo era feminino, internacional e multi-lingue. Ora senão sejamos: uma portuguesa, que arranha um bocado de francês e espanhol, uma brasileira que arrasa em francês, portunhol e japonês, uma belga que fala um espanhol quase nativo e uma colombiana, que está aprendendo portunhol.
Chegamos a Bruxelas com muito tempo de sobra, ou não fosse esta uma festa latina e portanto atrasada. :) Depois de tomarmos uma bebida numa esplanada a aproveitar o maravilhoso sol e temperatura tépida, lá fomos ver de que se tratava a festa. Como tinha jantar, compramos senhas e escolhemos o menu. Os problemas vieram a seguir, mas lá se foram resolvendo. Não havia mesas suficientes: lá apareceram mais mesas e cadeiras. O problema maior foi a comida que nunca mais, o sol a pôr-se, a temperatura a cair, e nós sentadas no terraco. Depois de um bom par de horas, depois de falar, refilar, pedir por todos os santinhos em francês, espanhol e inglês, lá apareceu a chuleta, com arroz, couve roxa e platano. Que estava boa e quentinha. E um silêncio caiu na mesa.
A seguir havia sobremesa e um concerto. O concerto estava bem a meio quando acabámos de jantar, mas lá fomos dar uma espreitadela. A cantora, Zully Murillo, estava acompanhada pelos De La Contudencia, e tratou de dar um espetáculo que nos fez esquecer tudo o que tinha acontecido até ai: dancou pelo palco, contou histórias, numa interpretacão fantástica, como se fossemos todos velhos amigos a rever histórias da aldeia.

Ao princípio ainda nos sentámos, mas rapidamente o ritmo chamou às nossas almas latinas e era impossível ficar parada.
Acabámos por ter de sair do concerto antes do final, para ir apanhar o último comboio de volta a Leuven. E só então nos apercebemos, que se pagava bilhete para o concerto. O mal já estava feito, e corremos Bruxelas acima e abaixo (incluíndo um sprint através de um túnel, enquanto um músico/mendigo tocava alegremente acordeão, digno de um filme) atrás do último comboio, que conseguimos apanhar com minutos de sobra.
Foi uma grande noite!
sexta-feira, junho 05, 2009
Actos aleatórios de realidade
Já aqui tinha falado deste blog, de um paramédico do servico de ambulâncias londrino. É um blog que consegue ser engracado, contudente, sarcástico e triste, pelas histórias que conta.
O autor, Tom Reynolds, lancou recentemente o seu segundo livro baseado no blog, chamado "More Blood, More Sweat and Another Cup of Tea" (o primeiro chama-se "Blood, Sweat and Tea") e ambos se encontram gratuitamente online sob a proteccão da Creative Commons Licence, o que permite ao leitor fazer o que quiser ao livro, desde que não seja com o intuito de ganhar dinheiro.
Uma ideia fantástica, da qual Reynolds é um veemente defensor, e que aparentemente tem resultado, uma vez que o livro esgotou imediatamente na Amazon.
Para o provar, e a seu pedido, aqui disponibilizo o livro na integra.
O autor, Tom Reynolds, lancou recentemente o seu segundo livro baseado no blog, chamado "More Blood, More Sweat and Another Cup of Tea" (o primeiro chama-se "Blood, Sweat and Tea") e ambos se encontram gratuitamente online sob a proteccão da Creative Commons Licence, o que permite ao leitor fazer o que quiser ao livro, desde que não seja com o intuito de ganhar dinheiro.
Uma ideia fantástica, da qual Reynolds é um veemente defensor, e que aparentemente tem resultado, uma vez que o livro esgotou imediatamente na Amazon.
Para o provar, e a seu pedido, aqui disponibilizo o livro na integra.
quarta-feira, junho 03, 2009
E a segunda-feira...
Aqui a segunda feira foi feriado, portanto apesar de ter ido ao servico fazer manutencão das minhas célulazinhas, a maior parte do dia não foi muito diferente do domingo.
Tenho a dizer que estou com um belo tom tostado... :)
Tenho a dizer que estou com um belo tom tostado... :)
domingo, maio 31, 2009
quarta-feira, maio 20, 2009
Sherlock Holmes
Sempre fui grande fã de histórias de detectives, mas em vez de devorar todos os livros de suspense, fiquei-me por dois grandes clássicos, que são incomparáveis: Sherlock Holmes e Poirot.
Tal como adoro ler as suas aventuras, também as adaptacões ao pequeno ecrã, feitas pela competente televisão britânica, são fontes de grande prazer e entretenimento, sendo fieis ao material original.
E por essa razão o meu Poirot será sempre o David Suchet, e o meu Sherlock Holmes, o Jeremy Brett. Ainda estou a construir a minha coleccão de DVDs do Poirot, mas já há algum tempo que tenho a coleccão completa da série de TV do Sherlock Holmes, e tal como a generalidade das pessoas rendo-me à mestria de Jeremy Brett a interpretar um Holmes cerebral, cínico, sardónico, mas com uma veia de sentimento escondida debaixo do fato negro e da cara pálida.
Este ano vêm ai uma nova interpretacão de Sherlock Holmes, pelo Guy Ritchie. Como seria de esperar Holmes, representado por Robert Downey Jr, passa por arrogante, mas de repente aparece transformado num heroi de accão. Quanto à escolha do Dr. Watson, caiu brilhantemente num Jude Law que promete fazer justica ao papel, ele que, jovem e anónimo, chegou a contracenar com Jeremy Brett no original Sherlock Holmes, a fazer-se passar por, nada mais e nada menos do que uma mulher.
Já têm planos para o dia de Natal? Eu já.
Tal como adoro ler as suas aventuras, também as adaptacões ao pequeno ecrã, feitas pela competente televisão britânica, são fontes de grande prazer e entretenimento, sendo fieis ao material original.
E por essa razão o meu Poirot será sempre o David Suchet, e o meu Sherlock Holmes, o Jeremy Brett. Ainda estou a construir a minha coleccão de DVDs do Poirot, mas já há algum tempo que tenho a coleccão completa da série de TV do Sherlock Holmes, e tal como a generalidade das pessoas rendo-me à mestria de Jeremy Brett a interpretar um Holmes cerebral, cínico, sardónico, mas com uma veia de sentimento escondida debaixo do fato negro e da cara pálida.
Este ano vêm ai uma nova interpretacão de Sherlock Holmes, pelo Guy Ritchie. Como seria de esperar Holmes, representado por Robert Downey Jr, passa por arrogante, mas de repente aparece transformado num heroi de accão. Quanto à escolha do Dr. Watson, caiu brilhantemente num Jude Law que promete fazer justica ao papel, ele que, jovem e anónimo, chegou a contracenar com Jeremy Brett no original Sherlock Holmes, a fazer-se passar por, nada mais e nada menos do que uma mulher.
Já têm planos para o dia de Natal? Eu já.
quarta-feira, maio 06, 2009
E mais uma...
Estacão de comboios de Antuérpia Central. 23 de Marco, 2009. 8 horas.
Mensagem final: VTM, quarta feira, procuramos Maria.
Mensagem final: VTM, quarta feira, procuramos Maria.
terça-feira, maio 05, 2009
Na na na...
Continuando na temática da publicidade, se gostaram deste post não foram os únicos. De tal maneira que passou a ser conhecido como a dança da T-Mobile, e originou dezenas de copiancos em diversos locais.
Mas a T-Mobile decidiu aproveitar esta fama e convidou o público a aparecer em Trafalgar Square, no dia 30 de Abril, às 18h e a participar num novo evento.
O que aconteceu a seguir foi isto...
Mas a T-Mobile decidiu aproveitar esta fama e convidou o público a aparecer em Trafalgar Square, no dia 30 de Abril, às 18h e a participar num novo evento.
O que aconteceu a seguir foi isto...
sexta-feira, abril 24, 2009
Criatividade
Sempre gostei de publicidade, da capacidade de criar algo artistico, interessante, diferente, que criasse empatia com o espectador e que lhe transmitisse uma mensagem. Tudo em 30 segundos.
E às vezes as publicidades mais criativas revelam o produto mais corriqueiro, mas acabam por criar um elo entre o público e a marca, mesmo que não com o produto especificamente. E em raras ocasiões até vão mais longe.
Foi o que aconteceu com o seguinte anúncio realizado por Zé Pedro, com música de Brandi Carlile. A música fez sensação, a cantora ficou famosa e o anúncio tem honras de arte.
E no final quando se percebe o que o anúncio quer vender, é um pouco desapontante, mas não deixa de ser brilhante.
E às vezes as publicidades mais criativas revelam o produto mais corriqueiro, mas acabam por criar um elo entre o público e a marca, mesmo que não com o produto especificamente. E em raras ocasiões até vão mais longe.
Foi o que aconteceu com o seguinte anúncio realizado por Zé Pedro, com música de Brandi Carlile. A música fez sensação, a cantora ficou famosa e o anúncio tem honras de arte.
E no final quando se percebe o que o anúncio quer vender, é um pouco desapontante, mas não deixa de ser brilhante.
segunda-feira, abril 20, 2009
Cínica não mais
Já tinha ouvida falar deste video e já o tinha visto em alguns blogs, mas só de ver a cara da senhora, eu pensei (tal como toda a gente provavelmente) que ela ia cantar muito mal que toda a gente estava a publicar o video porque ela era muito má. E isso é o procedimento habitual e toda a gente se ri.
Mas eu não gosto nada de ver essas partes dos programas de talentos em que eles mostram os piores candidatos e portanto nunca tinha visto o vídeo.
Ontem carreguei no Play finalmente e, tal como ao juri do programa Britain's Got Talent, ela deixou-me de boca aberta com uma voz espectacular, a cantar uma música extraordinariamente díficil, do musical Os Miseráveis.
E no final, quando o público está de pé em euforia e ela canta "I had a dream my life would be, so different from this hell I'm living, so different now from what it seems, my life has killed the dream I dreamed." não consegui resistir a deixar cair uma lagrimazinha.
Obrigada Susan Boyle. De vez enquando precisamos de ser relembrados que no meio de tanto visual, televisão, gente fútil e bonita, marcas e publicidade, famosos e jet-setters, que existe talento real, mesmo que escondido numa senhora desempregada de 47 anos, duma aldeia da Escócia.
Mas eu não gosto nada de ver essas partes dos programas de talentos em que eles mostram os piores candidatos e portanto nunca tinha visto o vídeo.
Ontem carreguei no Play finalmente e, tal como ao juri do programa Britain's Got Talent, ela deixou-me de boca aberta com uma voz espectacular, a cantar uma música extraordinariamente díficil, do musical Os Miseráveis.
E no final, quando o público está de pé em euforia e ela canta "I had a dream my life would be, so different from this hell I'm living, so different now from what it seems, my life has killed the dream I dreamed." não consegui resistir a deixar cair uma lagrimazinha.
Obrigada Susan Boyle. De vez enquando precisamos de ser relembrados que no meio de tanto visual, televisão, gente fútil e bonita, marcas e publicidade, famosos e jet-setters, que existe talento real, mesmo que escondido numa senhora desempregada de 47 anos, duma aldeia da Escócia.
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